quinta-feira, 21 de julho de 2011

Mudar - Edson Marques

Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.

Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!!!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Jingle - Varig

Há uma antiga lenda japonesa datada do período Muromashi (século XV) que um pescador chamado Urashima Taro salvou uma tartaruga de um grupo de rapazes que a estavam maltratando.

No dia seguinte, uma tartaruga enorme se aproximou dele e lhe disse que a pequena tartaruga que ele salvara era na verdade a filha do Imperador do Mar, que gostaria de vê-lo e agradecer-lhe. Ela permitiu que ele subisse em suas costas e, através de magia, fez surgir brânquias em Taro para que ele pudesse respirar debaixo d'água.

Assim pôde levá-lo a uma viagem para conhecer o fundo do mar e o palácio do rei-dragão. Lá o pescador se encontrou com o imperador e com > a sua filha, a pequena tartaruga, que agora estava transformada em uma > bonita princesa.

Taro ficou no palácio como hóspede de honra e muitas festas foram feitas em sua homenagem. Assim foram se passando os dias. Embora feliz nas águas marinhas, Urashima começou a sentir saudades de sua terra natal e de seus parentes, e pediu para voltar. Ao partir, recebeu da princesa uma arca de presente, com a promessa de que só a abrisse quando ficasse bem velho e de cabelos brancos.

Ao chegar em sua cidade não a reconheceu, pois estava tudo muito mudado. Ele não conseguiu reconhecer nenhuma das pessoas da vila, os lugares já não eram mais os mesmos.

Começou a perguntar se ninguém conhecia um pescador chamado Urashima Tarō. Algumas pessoas disseram que tinham ouvido falar de alguém com esse nome, que havia desaparecido no mar muitos anos atrás. Taro acabou descobrindo que haviam se passado trezentos anos desde o dia em que havia decidido ir ao fundo do mar.

Tomado de grande tristeza, foi para a beira do mar na esperança de reencontrar a tartaruga, mas desesperou-se porque esta demorava e acabou abrindo a caixa que a princesa lhe havia oferecido.

De dentro dela saiu uma nuvem de fumaça branca, que o envolveu. De repente, seu corpo tornou-se velho e enrugado, nasceu-lhe uma longa barba branca e suas costas curvaram-se com o peso de tantos anos. E do mar veio a voz doce e triste da princesa: "Eu lhe disse para não abrir a caixa. Nela estavam todos os seus anos …" A caixa continha a "eterna juventude" de Urashima Taro e o pescador, sem reconhecer seu valor, deixou-a ir-se para sempre.

O "JINGLE" DA VARIG - No final dos anos 60 a VARIG inaugurava sua rota do Brasil ao Japão e para comemorar, encomendaram ao notável "jinglista" ARCHIMEDES MESSINA que, baseado na lenda, fez uma adaptação genial e acabou se transformando num enorme sucesso e até hoje é um dos "jingles" mais tocados no Brasil em todos os tempos. A gravação ficou a cargo da "TARGET AUDIO", a produção ficou a cargo de "Eduardo Barros" e a voz é da cantora japonesa ROSA MIYAKE que naquela época fazia um sucesso enorme com o programa "Imagens do Japão" da Rede Record.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Velho na Estrada...

Um velho ia por uma estrada, montado num velho burro, conduzido pelo neto, um moleque de uns dez anos. Logo encontraram alguns lavradores, que mostraram indignação: “vejam, aquele velho explorando a criança”. Ele desceu, então, do burro, colocou o menino montado no animal e pôs-se a puxá-lo. Logo encontrou algumas comadres: “coitado desse velho... e, vejam – o garoto, tão novo, vai tão bem acomodado”. O velho refletiu um pouco, e resolveu montar o burro junto com o neto. Iam naquele passo modorrento que só os burros sabem imprimir, quando encontraram um padre que, indignado, esbravejou: “vocês não respeitam este quadrúpede, uma criatura de Deus?”.

Perplexo, o velho pensou, pensou e resolveu que ele e o neto revezariam, carregando o burro. E assim fizeram. Uns rapazes, que iam passando, começaram a atirar pedras nos dois e a rir, dizendo: “lá vão os burros de duas pernas, carregando o de quatro. ” Então ...

Vejam: poderíamos continuar a história, criando sempre novas situações que gerariam críticas, em torno dos três personagens. Por que, diante da solução clássica, ou da solução criativa, sempre haverá um crítico, para quem nenhuma solução é boa mas também, não consegue criar nenhuma. Um mesmo problema pode sugerir soluções diversas, mais ou menos criativas, mais simples ou mais complexas.

O importante para a solução é sua busca incansável, sem desânimos ou esmorecimento. É utilizar seus próprios recursos, ou observar os dos outros, para tentar adapta-los a suas necessidades. É refletir, refletir e refletir...

Penso que, na finalização de nosso curso, é necessário, enfim, concluir que não finalizamos nada. Ao contrário, deixamos em aberto, para ser continuada por vocês, pela vida afora, essa necessidade de investigar as coisas, brigar pelas idéias e perceber que para tudo há uma solução. Uma eterna busca, que gera crescimento interior e conseqüente energia criadora.

Como professor, considero-me satisfeito e realizado, por ter conseguido transmitir essa “angústia investigativa”que forja a essência dos pesquisadores. Pode parecer que não tenhamos chegado a lugar nenhum e afirmo que chegamos a todos. .A experiência é rica e a troca de energia manteve-se dentro do equilíbrio ideal...

Stand By Me

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mulher Perfeitinha - Arnaldo Jabor

Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota- propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar,
tem a bunda dura?

Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes.
Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

A. Escova toda manhã. A fulana acorda as seis da matina pra deixar
o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão. "Alisabel é que é legal". Burra.

B. Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar "desarrumada" nem enquanto tiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto.
Credo.

C. Sorriso incessante: ela mora na vila do Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho - só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.

D. Bunda dura. As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão.

Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você.

Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão. Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda?

Meu Deus... Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema).

Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra suas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carta ao Professor - De Abaham Lincoln

 Carta de Abraham Lincoln ao Professor do seu filho:

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

Abraham Lincoln, 1830