quinta-feira, 7 de julho de 2011

Velho na Estrada...

Um velho ia por uma estrada, montado num velho burro, conduzido pelo neto, um moleque de uns dez anos. Logo encontraram alguns lavradores, que mostraram indignação: “vejam, aquele velho explorando a criança”. Ele desceu, então, do burro, colocou o menino montado no animal e pôs-se a puxá-lo. Logo encontrou algumas comadres: “coitado desse velho... e, vejam – o garoto, tão novo, vai tão bem acomodado”. O velho refletiu um pouco, e resolveu montar o burro junto com o neto. Iam naquele passo modorrento que só os burros sabem imprimir, quando encontraram um padre que, indignado, esbravejou: “vocês não respeitam este quadrúpede, uma criatura de Deus?”.

Perplexo, o velho pensou, pensou e resolveu que ele e o neto revezariam, carregando o burro. E assim fizeram. Uns rapazes, que iam passando, começaram a atirar pedras nos dois e a rir, dizendo: “lá vão os burros de duas pernas, carregando o de quatro. ” Então ...

Vejam: poderíamos continuar a história, criando sempre novas situações que gerariam críticas, em torno dos três personagens. Por que, diante da solução clássica, ou da solução criativa, sempre haverá um crítico, para quem nenhuma solução é boa mas também, não consegue criar nenhuma. Um mesmo problema pode sugerir soluções diversas, mais ou menos criativas, mais simples ou mais complexas.

O importante para a solução é sua busca incansável, sem desânimos ou esmorecimento. É utilizar seus próprios recursos, ou observar os dos outros, para tentar adapta-los a suas necessidades. É refletir, refletir e refletir...

Penso que, na finalização de nosso curso, é necessário, enfim, concluir que não finalizamos nada. Ao contrário, deixamos em aberto, para ser continuada por vocês, pela vida afora, essa necessidade de investigar as coisas, brigar pelas idéias e perceber que para tudo há uma solução. Uma eterna busca, que gera crescimento interior e conseqüente energia criadora.

Como professor, considero-me satisfeito e realizado, por ter conseguido transmitir essa “angústia investigativa”que forja a essência dos pesquisadores. Pode parecer que não tenhamos chegado a lugar nenhum e afirmo que chegamos a todos. .A experiência é rica e a troca de energia manteve-se dentro do equilíbrio ideal...

Nenhum comentário:

Postar um comentário