Um velho ia por uma estrada, montado num velho burro, conduzido pelo neto, um moleque de uns dez anos. Logo encontraram alguns lavradores, que mostraram indignação: “vejam, aquele velho explorando a criança”. Ele desceu, então, do burro, colocou o menino montado no animal e pôs-se a puxá-lo. Logo encontrou algumas comadres: “coitado desse velho... e, vejam – o garoto, tão novo, vai tão bem acomodado”. O velho refletiu um pouco, e resolveu montar o burro junto com o neto. Iam naquele passo modorrento que só os burros sabem imprimir, quando encontraram um padre que, indignado, esbravejou: “vocês não respeitam este quadrúpede, uma criatura de Deus?”.
Perplexo, o velho pensou, pensou e resolveu que ele e o neto revezariam, carregando o burro. E assim fizeram. Uns rapazes, que iam passando, começaram a atirar pedras nos dois e a rir, dizendo: “lá vão os burros de duas pernas, carregando o de quatro. ” Então ...
Vejam: poderíamos continuar a história, criando sempre novas situações que gerariam críticas, em torno dos três personagens. Por que, diante da solução clássica, ou da solução criativa, sempre haverá um crítico, para quem nenhuma solução é boa mas também, não consegue criar nenhuma. Um mesmo problema pode sugerir soluções diversas, mais ou menos criativas, mais simples ou mais complexas.
O importante para a solução é sua busca incansável, sem desânimos ou esmorecimento. É utilizar seus próprios recursos, ou observar os dos outros, para tentar adapta-los a suas necessidades. É refletir, refletir e refletir...
Penso que, na finalização de nosso curso, é necessário, enfim, concluir que não finalizamos nada. Ao contrário, deixamos em aberto, para ser continuada por vocês, pela vida afora, essa necessidade de investigar as coisas, brigar pelas idéias e perceber que para tudo há uma solução. Uma eterna busca, que gera crescimento interior e conseqüente energia criadora.
Como professor, considero-me satisfeito e realizado, por ter conseguido transmitir essa “angústia investigativa”que forja a essência dos pesquisadores. Pode parecer que não tenhamos chegado a lugar nenhum e afirmo que chegamos a todos. .A experiência é rica e a troca de energia manteve-se dentro do equilíbrio ideal...
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