quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sociedade da Falta de Concentração

SOCIEDADE DA FALTA DE CONCENTRAÇÃO

Tenho observado nas gerações mais novas, uma imensa dificuldade de concentração. Durante as aulas percebe-se claramente a atenção desviada, mesmo quando o assunto é de interesse e aplicação imediata. Um simples I-Phone transforma-se em dicionário, calculadora, tradutor, jornal, revista, correio, GPS, radio, DVD, máquina fotográfica e ... até um telefone ! A informação é obtida e circula de maneira muito rápida e fácil.

Diante desta constatação comportamental, é importantíssimo nos adequarmos às necessidades motivacionais desses jovens. O que eles querem?, o que eles buscam ?

Eles não convivem com os bastidores, pelo contrário, vivem o papel do dia a dia, no palco, sem medo, tomando decisões com tanta facilidade que nos assusta. Eles não esperam para fazer o que precisa ser feito. Vivem num mundo onde a procura da alegria ( ou a procura da felicidade?) , aparece como um dos valores mais dominantes.

E a escola como fica nesse contexto? E nós professores?

Esses jovens dão provas de uma crescente impaciência ante uma escola que lhes ofereça pouca alegria e ameaçam recusá-la de forma cada vez mais determinada. Está em jogo o papel que a escola deve desempenhar e talvez até mesmo sua sobrevivência como instituição educacional e social.

É chegada a hora de encararmos o problema de frente, e nos propor como objetivo principal, encontrar o caminho que propicie a reconciliação entre a escola e a alegria. Para que o aluno volte a sentir estímulo na sua convivência acadêmica será imprescindível partirmos de pressupostos básicos.

Alunos e professores deveriam pressupor que a educação ministrada por educadores proficientes não seja um amontoado de inutilidades na formação do homem e portanto que a sua finalidade seja fundamentada, que os conteúdos sejam cientificamente determinados, que a avaliação seja objetiva, que quem ensina seja realmente capaz de ensinar e sobretudo tenha vontade de fazer o que faz.

Marcos Antonio Cascino
cascinomarcos@italo.br

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Professores - por Marcos Antonio Cascino

Por ocasião dos anos 90 tive acesso a uma sátira de autor desconhecido que falava sobre educação. O título “A volta de um personagem do século XVIII ao Brasil” assim começava:

“Em pleno século XX, o Sr, Teixeira, um grande professor brasileiro do século XVIII, voltou ao Brasil, e chegando à sua cidade, ficou abismado com o que viu: as casas eram altíssimas e cheias de janelas, as ruas pretas e passavam umas sobre as outras, com uma infinidade de máquinas andando em velocidade; o povo falava muitas palavras que o professor Teixeira não conhecia ( poluição, telefone, avião, rádio, barato, metrô, televisão...). As roupas deixavam o professor Teixeira ruborizado. Tudo havia mudado. Muito surpreso e preocupado, o professor visitou a cidade inteira e, cada vez mais compreendia menos o que estava acontecendo. Resolveu então visitar uma igreja, mas que susto levou. O padre rezava a missa, não em latim, mas em português e de costas para o altar; o órgão estava parado e um grupo de cabeludos tocava nas guitarras uma música estranha, ao invés do canto gregoriano. O desespero do professor aumentava. Resolveu ainda visitar algumas famílias. Mas... o que significava aquilo? Depois do jantar todos se reuniram durante muitas horas para adorar um aparelho que mostrava imagens e emitia sons. O professor Teixeira ficou impressionado com tanta capacidade de concentração e de adoração!!! Ninguém falava uma palavra diante do aparelho. Tudo havia mudado completamente e o professor Teixeira desanimava cada vez mais, até que resolveu visitar uma escola. Foi uma ideia sensacional porque quando lá chegou, sentiu o que procurava: tudo continuava da mesma forma como ele havia deixado: as carteiras uma atrás das outras, o professor falando, falando.... e os alunos escutando, escutando”.

Analisando hoje de maneira objetiva, constatamos que a sátira reproduz uma verdade que infelizmente acontece na educação contemporânea. Pior ainda, muitos professores ainda não entenderam que nos dias de hoje o produto que ele transmite tem prazo de validade. Quatro anos? Talvez até menos...

Precisamos sair da zona de conforto e entender que é imprescindível adequarmos a nossa fala em sala de aula se quisermos assumir de verdade a tão nobre profissão que é “ser professor”. Trabalhar com educação significa propiciar a transformação. Que outra profissão tem uma missão tão significativa?

Como professores, devemos urgentemente refletir e propor mudanças nos processos de avaliação, na postura em sala de aula, na valorização da cátedra, no envolvimento sério com as instituições em que trabalhamos, no estudo do que deve compor o nosso plano de ensino.... para que possamos verdadeiramente trabalhar com educação, com “trans + formação”, com a convicção de que compartilhar é o nosso grande objetivo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Professores Marcantes por Prof Marcos Antonio G. Cascino

É impressionante como a relação entre a quantidade de professores que tivemos em
nossa formação acadêmica e os que deixaram uma marca positiva, é tão pequena. Alguns
são lembrança viva do tempo que estiveram conosco; lembramos detalhes, fisionomias,
gestos, a voz, como se vestiam,......outros nem o nome fica gravado.

Estive pensando quantos passaram pela minha vida até então. Em uma breve contagem,
creio que por volta de 121 professores participaram de alguma forma na minha
formação acadêmica. Que me recordo positivamente? 5. Ou seja, menos de 4%.

Minha professora de primeiro ano primário, “Dona “ Aurora, uma pessoa autoritária,
que constantemente me puxava as orelhas, quando não me pegava pelos cabelos. Porém
me ensinou limites e disciplina; recordo dela com saudades. Lembro como se fosse
ontem da sua fisionomia, da sua voz marcante, do seu jeito simples de se vestir, do
seu sorriso, do seu dinamismo....da forma como me chamava.

Na oitava série ginasial, um professor de Língua Portuguesa. Professor Lazaro
Gonçalves, já maduro na idade, com uma dicção beirando a perfeição, sempre vestindo
um terno cinza impecável, com uma lousa perfeita e que através da exemplificação
tornava o conteúdo leve e de fácil fixação.

Cheguei a procurá-lo por duas vezes muito tempo depois. Para repassar um discurso
que faria, quando conclui o curso de matemática, e outra vez para consultá-lo sobre
a grafia do nome que daria a meu primeiro filho que acabara de nascer.

No ensino médio, o Professor Assad, que lecionava matemática, com o qual fiquei em
segunda época e por incrível que pareça me fez sentir uma das maiores emoções na
vida acadêmica até então, quando em Fevereiro de 1969, me chamou após a realização
da prova de segunda época e disse: o senhor esta aprovado... já pensou em ensinar
matemática? Naquele momento, começava meu sonho em tornar a matemática mais fácil de ser ensinada. Era muito sereno, amigo porém distante, nunca alterou sua voz, e
invariavelmente se apresentava com um jaleco branco sempre limpo e muito bem
passado.

Na faculdade tive 3 professores que norteiam minha vida profissional até os dias de
hoje. Gelson Iezzi que me marcou pela postura sempre serena, pelo respeito que
impunha sem imposições, pelo seu jaleco branco sempre impecável que sem nenhum
esforço o colocava na sua merecida cátedra, pela formatação da lousa em suas aulas,
(letra, administração do espaço, clareza) e pelo conhecimento pleno do conteúdo a
ser transmitido.

Outro que me recordo positivamente foi o Professor Scipione. Com ele aprendi a
importância da presença de palco. A entonação, a gesticulação, a postura, e também o
seu jaleco branco que lhe dava a chancela de ser um professor.

Porque tão poucos me trazem boas recordações? Aliás para ser mais preciso, me trazem
saudades!

O que trazem de comum estes personagens ?

Em uma breve análise, creio que marcaram pelo conhecimento pleno do conteúdo que
lecionavam, pela postura, pelo jeito simples porém preciso de comunicação, pela
linguagem coloquial, clara, direta, sem gírias, sem extravagancias, pela
indumentária que simbolizava o magistério, pela amizade, pelo respeito, pela
serenidade, por serem sonhadores, por terem como objetivo principal o “compartilhar”
e por amarem sua profissão.