segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Professores - por Marcos Antonio Cascino

Por ocasião dos anos 90 tive acesso a uma sátira de autor desconhecido que falava sobre educação. O título “A volta de um personagem do século XVIII ao Brasil” assim começava:

“Em pleno século XX, o Sr, Teixeira, um grande professor brasileiro do século XVIII, voltou ao Brasil, e chegando à sua cidade, ficou abismado com o que viu: as casas eram altíssimas e cheias de janelas, as ruas pretas e passavam umas sobre as outras, com uma infinidade de máquinas andando em velocidade; o povo falava muitas palavras que o professor Teixeira não conhecia ( poluição, telefone, avião, rádio, barato, metrô, televisão...). As roupas deixavam o professor Teixeira ruborizado. Tudo havia mudado. Muito surpreso e preocupado, o professor visitou a cidade inteira e, cada vez mais compreendia menos o que estava acontecendo. Resolveu então visitar uma igreja, mas que susto levou. O padre rezava a missa, não em latim, mas em português e de costas para o altar; o órgão estava parado e um grupo de cabeludos tocava nas guitarras uma música estranha, ao invés do canto gregoriano. O desespero do professor aumentava. Resolveu ainda visitar algumas famílias. Mas... o que significava aquilo? Depois do jantar todos se reuniram durante muitas horas para adorar um aparelho que mostrava imagens e emitia sons. O professor Teixeira ficou impressionado com tanta capacidade de concentração e de adoração!!! Ninguém falava uma palavra diante do aparelho. Tudo havia mudado completamente e o professor Teixeira desanimava cada vez mais, até que resolveu visitar uma escola. Foi uma ideia sensacional porque quando lá chegou, sentiu o que procurava: tudo continuava da mesma forma como ele havia deixado: as carteiras uma atrás das outras, o professor falando, falando.... e os alunos escutando, escutando”.

Analisando hoje de maneira objetiva, constatamos que a sátira reproduz uma verdade que infelizmente acontece na educação contemporânea. Pior ainda, muitos professores ainda não entenderam que nos dias de hoje o produto que ele transmite tem prazo de validade. Quatro anos? Talvez até menos...

Precisamos sair da zona de conforto e entender que é imprescindível adequarmos a nossa fala em sala de aula se quisermos assumir de verdade a tão nobre profissão que é “ser professor”. Trabalhar com educação significa propiciar a transformação. Que outra profissão tem uma missão tão significativa?

Como professores, devemos urgentemente refletir e propor mudanças nos processos de avaliação, na postura em sala de aula, na valorização da cátedra, no envolvimento sério com as instituições em que trabalhamos, no estudo do que deve compor o nosso plano de ensino.... para que possamos verdadeiramente trabalhar com educação, com “trans + formação”, com a convicção de que compartilhar é o nosso grande objetivo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário