É impressionante como a relação entre a quantidade de professores que tivemos em
nossa formação acadêmica e os que deixaram uma marca positiva, é tão pequena. Alguns
são lembrança viva do tempo que estiveram conosco; lembramos detalhes, fisionomias,
gestos, a voz, como se vestiam,......outros nem o nome fica gravado.
Estive pensando quantos passaram pela minha vida até então. Em uma breve contagem,
creio que por volta de 121 professores participaram de alguma forma na minha
formação acadêmica. Que me recordo positivamente? 5. Ou seja, menos de 4%.
Minha professora de primeiro ano primário, “Dona “ Aurora, uma pessoa autoritária,
que constantemente me puxava as orelhas, quando não me pegava pelos cabelos. Porém
me ensinou limites e disciplina; recordo dela com saudades. Lembro como se fosse
ontem da sua fisionomia, da sua voz marcante, do seu jeito simples de se vestir, do
seu sorriso, do seu dinamismo....da forma como me chamava.
Na oitava série ginasial, um professor de Língua Portuguesa. Professor Lazaro
Gonçalves, já maduro na idade, com uma dicção beirando a perfeição, sempre vestindo
um terno cinza impecável, com uma lousa perfeita e que através da exemplificação
tornava o conteúdo leve e de fácil fixação.
Cheguei a procurá-lo por duas vezes muito tempo depois. Para repassar um discurso
que faria, quando conclui o curso de matemática, e outra vez para consultá-lo sobre
a grafia do nome que daria a meu primeiro filho que acabara de nascer.
No ensino médio, o Professor Assad, que lecionava matemática, com o qual fiquei em
segunda época e por incrível que pareça me fez sentir uma das maiores emoções na
vida acadêmica até então, quando em Fevereiro de 1969, me chamou após a realização
da prova de segunda época e disse: o senhor esta aprovado... já pensou em ensinar
matemática? Naquele momento, começava meu sonho em tornar a matemática mais fácil de ser ensinada. Era muito sereno, amigo porém distante, nunca alterou sua voz, e
invariavelmente se apresentava com um jaleco branco sempre limpo e muito bem
passado.
Na faculdade tive 3 professores que norteiam minha vida profissional até os dias de
hoje. Gelson Iezzi que me marcou pela postura sempre serena, pelo respeito que
impunha sem imposições, pelo seu jaleco branco sempre impecável que sem nenhum
esforço o colocava na sua merecida cátedra, pela formatação da lousa em suas aulas,
(letra, administração do espaço, clareza) e pelo conhecimento pleno do conteúdo a
ser transmitido.
Outro que me recordo positivamente foi o Professor Scipione. Com ele aprendi a
importância da presença de palco. A entonação, a gesticulação, a postura, e também o
seu jaleco branco que lhe dava a chancela de ser um professor.
Porque tão poucos me trazem boas recordações? Aliás para ser mais preciso, me trazem
saudades!
O que trazem de comum estes personagens ?
Em uma breve análise, creio que marcaram pelo conhecimento pleno do conteúdo que
lecionavam, pela postura, pelo jeito simples porém preciso de comunicação, pela
linguagem coloquial, clara, direta, sem gírias, sem extravagancias, pela
indumentária que simbolizava o magistério, pela amizade, pelo respeito, pela
serenidade, por serem sonhadores, por terem como objetivo principal o “compartilhar”
e por amarem sua profissão.
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